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O que é a Disfunção de Integração Sensorial?

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Cira de Luque

Imagine que tem dificuldade em tolerar os sons, o toque, mexer em certas texturas, balançar, superfícies instáveis ou movimentos inesperados, texturas ou sabores na boca. Depois imagine que tem de estar num Jardim-de-Infância e tem de lidar com tudo isto várias vezes ao dia, todos os dias. Ou então, imagine que não consegue controlar a necessidade de mexer em tudo, de experimentar todo o tipo de movimentos e tem de estar sentado direito na sala de aula quieto e ainda prestar atenção.

Muitas crianças experimentam estas e outras dificuldades que lhe comprometem a sua capacidade para se envolverem nas ocupações do dia-a-dia.

Estas dificuldades podem estar relacionadas com a capacidade do cérebro processar a informação que recebe dos sistemas sensoriais ou sentidos.

Quando o cérebro apresenta dificuldade em processar a informação sensorial surge a Disfunção de Integração Sensorial. Estão actualmente identificados vários sub tipos de disfunção. Estes podem ser divididos em 6 grupos sendo que a maioria das crianças apresenta uma combinação destes subtipos.

Procura sensorial – Estas crianças apresentam um comportamento com uma necessidade excessiva de estímulos sensoriais. Estão constantemente a tocar, saltar ou esbarrar, fazer barulhos ou a levar tudo à boca e parecem não entender onde acaba o seu espaço pessoal e começa o do outro.

Hiper responsividade sensorial – Estas crianças sentem a sensação mais facilmente ou mais intensamente. Podem reagir mal ou evitar as sensações a que são hipersensíveis. Por ex.: Ao serem tocadas inesperadamente ou perante um som ou movimento mais intenso querem minimizar a sensação; recusam as situações onde podem ser tocadas, recusam tocar em certas texturas, colocam as mãos nos ouvidos perante o ruído,  recusam usar baloiços e superfícies instáveis, etc.

Hiporesponsividade sensorial – Estas crianças parecem desligadas, com dificuldade em se envolverem e/ou viradas para si mesmas porque não detectam os estímulos sensoriais no meio. Podem ser sedentárias, lentas e desorganizadas a realizar as suas tarefas. Ex. A hiporesponsividade ao toque e à pressão pode estar de base ao pobre consciência corporal e à baixa resposta à dor.

Desordens de controlo postural – Estas crianças têm dificuldade em estabilizar o corpo durante o movimento e podem ter um tónus muscular baixo, fraqueza muscular, pobre resistência, dificuldade em manter a postura quando estão sentadas ou em pé. Assumem posturas assimétricas, têm dificuldade em usar ambas as mãos ao mesmo tempo ou no cruzamento da linha média do corpo com uma das mãos.

Dispraxia/problemas de planeamento Motor – Podem ter dificuldade em planear a sequência de acções ou na execução de novas actividades motoras devido ao processamento da informação sensorial. Têm dificuldade em organizar as tarefas e o brincar, têm poucas ideias do que podem fazer ou brincar, têm dificuldade para aprender a vestir-se e despir-se e comer (podem ser trapalhonas, sujarem-se, não usarem adequadamente os talheres). Parecem descoordenadas e desajeitadas.

Desordens de discriminação sensorial – Estas crianças têm dificuldade em interpretar a informação sensorial de forma eficaz. Elas sentem o estímulo mas não percebem adequadamente o que viram, ouviram, sentiram, provaram ou cheiraram. Existe uma falha na capacidade para dar um significado correcto às qualidades específicas dos estímulos (ex. descriminar “botão” da “moeda” com o tacto; o “b” do “d” visualmente, o som “mola” de “bola”)

A criança pode pertencer a um sub grupo num sistema sensorial e a outro sub grupo noutro sistema. Por ex. pode     ser hipersensível ao som, ter problemas de planeamento e práxis e ser pouco sensível ao toque e à dor.

Quando a criança apresenta alguma destas dificuldades é conveniente fazer uma avaliação de Integração Sensorial, com uma terapeuta ocupacional com formação especializada na área.

Através da avaliação pretende-se determinar se a Integração Sensorial é um factor problemático no desenvolvimento da criança e se assim for que estratégias de intervenção irão ser mais eficientes para ajudar a criança e a família.

Paula Serrano

Terapeuta Ocupacional