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O que é a Integração Sensorial?

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Quando a criança toca, ouve, saboreia, vê, cheira ou se movimenta, ela discrimina, relaciona e dá um significado às diversas sensações atribuindo-lhes uma experiência afectiva. Com esta informação relacionada organiza uma resposta o mais adequada possível.

A Integração Sensorial é a organização dos diferentes estímulos sensoriais para que assim consigamos criar significado e a partir dai nos possamos envolver em interacções com o meio que nos rodeia.



A Integração Sensorial foi originalmente estudada pela Drª Jean Ayres, que era Terapeuta Ocupacional e Psicóloga Educacional. Ela desenvolveu um modelo teórico, um conjunto de testes estandardizados e uma abordagem clínica para a identificação e tratamento dos problemas de Integração Sensorial nas crianças.

A integração Sensorial é uma área de especialidade da Terapia Ocupacional que se baseia em mais de 40 anos de investigação e permite-nos compreender o desenvolvimento da criança colocando o foco no processamento sensorial particularmente nos sentidos que nos dão informação sobre o próprio corpo: vestibular (sentido do movimento), táctil, e proprioceptivo (sensação da posição e movimentos dos segmentos corporais).

Do ponto de vista de Integração Sensorial estes sentidos são particularmente importantes porque são primitivos e os primeiros a desenvolverem-se, e dominam a interacção da criança com o mundo em fases precoces do desenvolvimento. Os sentidos que nos trazem informação do mundo, a visão, audição tornam-se gradualmente mais dominantes à medida que a criança vai amadurecendo.

Quando falamos em integração sensorial estamos a referir-nos :

À maneira como o cérebro organiza as sensações para se envolver nas ocupações

Uma teoria baseada nas neuro-ciências que nos dá uma perspectiva para entendermos a dimensão sensorial no comportamento humano

Um modelo para entendermos a forma como a sensação afecta o desenvolvimento

Avaliações incluindo testes estandardizados, observações sistemáticas, entrevistas aos pais e professores que identificam padrões de disfunção de integração sensorial.



Estratégias de intervenção para melhorar o processamento da informação, práxis e o envolvimento nas ocupações diárias para indivíduos, populações ou organizações.

A Integração Sensorial ocorre através de um processo que pode ser resumido da seguinte forma:



Registo sensorial: Quando tomamos a consciência da sensação (sinto algo!).


Orientação e Atenção: Quando prestamos atenção selectiva ao estímulo e nos orientamos para ele (o que é isto? E orientamo-nos para o que sentimos. Onde está?).


Interpretação: Quando atribuímos significado e interpretamos as sensações à luz das nossas experiências prévias e da aprendizagem. É também a este nível que é associada uma emoção à sensação (ameaça, desafio ou prazer). Quando identificamos o que nos toca, o que ouvimos, vemos ou o tipo de movimento que fazemos, verificamos se é perigoso ou relaxante, etc.


Organização da resposta: Depois de discriminarmos os estímulos temos de os relacionar e organizar para decidir qual é a resposta mais adequada. Decidimos assim, uma resposta cognitiva, afectiva ou motora. Ou seja, o que fazer e como fazer.
Ex: se sentimos uma aranha pela perna decidimos tira-la imediatamente, se fomos sujeitos a um movimento muito brusco e perdemos o equilíbrio podemos agarrar-nos ou ter uma reacção de equilíbrio, se vamos a atravessar a rua e ouvimos uma sirene recuamos ou apressamo-nos dependendo do local onde estamos, etc.



Execução de uma resposta: É o passo final que consiste na execução da resposta previamente elaborada.


Apenas o ultimo passo da Integração sensorial é directamente observável ou seja só podemos ver a resposta, mas sabemos que previamente foi necessário fazer o registo, orientação, interpretação e organização de toda a informação para que esta seja apropriada e adaptada à situação que se apresenta.





Paula Serrano – Terapeuta Ocupacional